quinta-feira, 24 de maio de 2012
Olhos fechados.
Hoje eu vejo um céu estrelado, uma choupana vistosa na beira do rio, um ou dois casais sem limitações; sinto no ósculo que vejo as supostas bocas macias. Vejo também um campo minado de violetas, todas prontas para ser assassinadas por um romântico impulsivo. Mas no entanto, me deixo levar pelo teu cheiro e me lembro que é necessário abrir os olhos. A paisagem muda, e o que me dói é saber que o céu nublado não destaca o reflexo do barracão no lago fosco e camufla dois mendigos alojados na terra seca em baixo de alguns galhos que resistiram ao intenso verão. Mas perceber que o vento traz uma boa nostalgia me convence a fechar os olhos novamente e sentir o cheiro da saliva numa respiração e o cigarro apagado no final de uma transa.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Caroço oco.
O amor é
Fogo que se acende;
Fogo que se apaga;
Faísca acende o peito,
Lágrima apaga o leito.
O medo que se tem
É o mesmo que se afaga;
Se estende até o caroço
Deixando vazio por fora
E por dentro oco.
O fogo que se acende,
Sendo ele o que apaga;
Faísca acende a alma,
Lágrima cai ao chão.
A alegria conquistada
É aquela que te prende;
Faz fogo, traz medo,
Queima a alma, cai a lágrima.
Em si o pudor,
exílio da dor;
Mas esta lá o amor;
Cortado por dentro,
Moído por fora.
Ainda te tenho
Cheio de nada ;
Vazio de ti;
Acompanha-me.
Serei a tua companheira;
De ti a "mal amada".
terça-feira, 27 de março de 2012
Parabéns, Polissíndeto!

Porque parabenizar;
Quem hoje envelhece?
Mais um ano de vida,
Menos tempo para a morte.
O que te beneficia em receber felicitações;
Se daquele dia só te restará as lembranças;
De uma nostálgica idade;
De uma numeração semântica.
Precário seja aquele que festeja,
Teu caixão o corpo almeja,
Menos vida, bendito seja.
Vive, e ri, e chora;
Reza, e pede, e adoece;
Tosse, e cospe, e morre.
terça-feira, 20 de março de 2012
Platônica inocência
Para mim, a inocência só habita uma mentalidade até os dez anos de idade, depois disso, só se consegue demonstrar uma leve vulnerabilidade para ser iludido. Esse ser "sonso" nega ser criança e esta corretamente certo ao afirmar, mas não o maduro suficiente para ser responsável pelo seus sentimentos emancipados.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Redenção a dor

De repente acabou, esgotou-se a paciência;
Entupiu-se de ideias paralelas a vida;
Rendeu-se pela dor da lentidão;
Portava porcentagens altíssimas de relaxantes destilados no sangue,
Concentrava-se no polegar que transformava gás em fogo,
E zarolho continuava ao enxergar a fumaça cedendo cinzas.
Baseado por fatos legítimos de morte,
Enquadrava-se nas mais famosas violações por exagero;
Exagerava em longas e termináveis doses lícitas,
Matando nem sempre o que contia em si,
Mas sim o que a rodeava;
Provocando em período prévio de suicídio coletivo.
Suicidava-se lembranças de uma boa expectativa vital;
Amigos de infância, pai e mãe;
Que esqueceram da tolerância,
E renderam-se a dor do desespero.
Um quarto e uma janela com cinco barras de ferro,
Que dava para a encardida parede branca;
O relógio marcava exatamente quatro horas e dezenove minutos,
E eu escrevendo dos meus antigos amigos e falecidos pais.
Isolar-me. É tudo o que resta.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Garota
Ela se curva, ajoelha e deita
No leito desconfortável derrama seus prantos;
Não cita nomes, lares, encontros,
Não declara alegria, dor, só suspeita.
Suspeita ser abandonada em breve,
Sentir-se miseramente deixada,
Por cada grito que pesado pisa
E cada gota caída por nada.
Manada de paixões arrebatadoras;
Agarram seu coração arrancando o que te convém
Sendo que a dor lhe cai bem.
Corta o pulso, grita garganta,
Jorra sangue, pálida se espanta,
Morde o lábio, prazer da carne fresca,
Lambe Leucócitos, limpa a alma.
Infanta lúcida, mórbida,
Momento nefasto, breve putrefação,
Hemorragia, degradação,
Pacífico corte vertical.
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