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terça-feira, 27 de março de 2012

Parabéns, Polissíndeto!


Porque parabenizar;
Quem hoje envelhece?
Mais um ano de vida,
Menos tempo para a morte.

O que te beneficia em receber felicitações;
Se daquele dia só te restará as lembranças;
De uma nostálgica idade;
De uma numeração semântica.

Precário seja aquele que festeja,
Teu caixão o corpo almeja,
Menos vida, bendito seja.

Vive, e ri, e chora;
Reza, e pede, e adoece;
Tosse, e cospe, e morre.

terça-feira, 20 de março de 2012

Platônica inocência

Para mim, a inocência só habita uma mentalidade até os dez anos de idade, depois disso, só se consegue demonstrar uma leve vulnerabilidade para ser iludido. Esse ser "sonso" nega ser criança e esta corretamente certo ao afirmar, mas não o maduro suficiente para ser responsável pelo seus sentimentos emancipados.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Redenção a dor


De repente acabou, esgotou-se a paciência;
Entupiu-se de ideias paralelas a vida;
Rendeu-se pela dor da lentidão;
Portava porcentagens altíssimas de relaxantes destilados no sangue,
Concentrava-se no polegar que transformava gás em fogo,
E zarolho continuava ao enxergar a fumaça cedendo cinzas.

Baseado por fatos legítimos de morte,
Enquadrava-se nas mais famosas violações por exagero;
Exagerava em longas e termináveis doses lícitas,
Matando nem sempre o que contia em si,
Mas sim o que a rodeava;
Provocando em período prévio de suicídio coletivo.

Suicidava-se lembranças de uma boa expectativa vital;
Amigos de infância, pai e mãe;
Que esqueceram da tolerância,
E renderam-se a dor do desespero.

Um quarto e uma janela com cinco barras de ferro,
Que dava para a encardida parede branca;
O relógio marcava exatamente quatro horas e dezenove minutos,
E eu escrevendo dos meus antigos amigos e falecidos pais.
Isolar-me. É tudo o que resta.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Garota

Ela se curva, ajoelha e deita
No leito desconfortável derrama seus prantos;
Não cita nomes, lares, encontros,
Não declara alegria, dor, só suspeita.

Suspeita ser abandonada em breve,
Sentir-se miseramente deixada,
Por cada grito que pesado pisa
E cada gota caída por nada.

Manada de paixões arrebatadoras;
Agarram seu coração arrancando o que te convém
Sendo que a dor lhe cai bem.

Corta o pulso, grita garganta,
Jorra sangue, pálida se espanta,
Morde o lábio, prazer da carne fresca,
Lambe Leucócitos, limpa a alma.

Infanta lúcida, mórbida,
Momento nefasto, breve putrefação,
Hemorragia, degradação,
Era um pacífico corte vertical.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Samba industrial

O ritmo da cidade
Se resume em latão,
Batuque construção;
Bate, bate e bate.

Projeto de boate,
Bar e rabecão;
Barulho e confusão;
E começa o samba de ferragem.

Implicante tremor de martelo,
Dispersado som estéreo,
Vibração que em mim invade.

Prevalece o branco e cinza comércio;
E na lembrança o cinza verde reverso;
Sufoca a percussão da saudade.

sábado, 8 de outubro de 2011

A fé de cada um


Cada um tem a sua,
Cada "cara" tem o seu;
Olhos, cabelo, bunda;
Tudo o que não se define em mim é meu.